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domingo, 18 de agosto de 2013

a sala das árvores perdidas

durante esse ameno mês de agosto, paris é vazia de pessoas. poucos circulam pelas ruas, lojas de pequenos bairros fecham, crianças quase não se vê...
 
é uma verdadeira benção poder circular assim, livre, leve e solta, de havaianas nos pés e umas mil ideias na cabeça.
 
numa dessas andanças, acabei caindo no parque monceau, lá "no alto" da cidade.
 
umas ruínas romanas, flores coloridas, burgueses sentados nos milhões de banquinhos à disposição e... árvores!
 
quanta árvore impressionante existe nesse local!
 
galhosas, grandiosas, graciosas, seculares!
 
dessas imensas que formam sombras acolhedoras em torno delas, como se fossem cabaninhas folhosas isoladas do mundo real.
 
poderia morar nessas cabaninhas e só sairia de quando em quando, para tomar água na estranha mini cachoeira escondida num canto do parque e me alimentar dos restos de grãos rejeitados pelos pombos solitários.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

bélgica





A Bélgica foi uma boa surpresa! Charmosa, com pessoas tranquilas e agradáveis, a cidade nos ofereceu muito mais que seus monumentos à la Amsterdam. Degustamos cerveja de framboesa, provamos todos os chocolates possíveis e nos deliciamos com o sotaque arrastado e simpático desse povo quase bilíngue.






As fotos são de Bruxelas e de Bruges.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

esperando o fim da partida

O théâtre de la Madeleine foi perfeito para recebê-los. Em um refúgio no meio do nada, Hamm, cego, manco e personagem principal de uma história sobre um fim sempre adiado, tem ao seu lado Clov, seu empregado doméstico que fala pouco. Em cada uma das latas de lixo instaladas na frente do cenário estão os pais de Hamm, que surgem de tempos em tempos para falar do vazio. E assim se desenrola a cena: os personagens falam, mas não se comunicam entre si. Todos esperam enfim o fim, mas ele é impensável, impossível, interminável. O que resta neste "Fim de partida" é a existência vazia de seus estranhos e engraçados personagens. E diante das risadas bizarras da platéia, Nell, a mãe de Hamm, respondeu à altura: "nada é mais engraçado do que a infelicidade".


Até o dia 17 de julho tem "Fin de partie", de Samuel Beckett no Théâtre de la Madeleine, às 21h, de terça à domingo. É maravilhoso.


Sem cenário, sem história, sem herói, sem fim.

segunda-feira, 14 de março de 2011

wagner

A última experiência interessante nesta cidade foi ir à uma ópera. Mas não a uma ópera qualquer: a escolhida do dia foi Siegfried, de Richard Wagner. Para aqueles já familiarizados com sua obra, já sabem que passei toda uma tarde no Opéra Bastille. Da compra do ingresso à volta para a casa somem um total de 7 horas. Estava há dias de olho nessa montagem e queria muito passar pela experiência de "enfrentar" um Wagner em uma bela tarde de domingo de sol. E assim fez-se.
O resultado foi bom, embora estranho: a ópera, de duração de 5 horas e 10 min (contando os DOIS intervalos de 30 minutos, ufa!) foi bela, embora a montagem tenha sido uma decepção completa.
O personagem principal, que dá nome à opéra, faltou. O monstro da história faltou. O pássaro da história faltou. O cenário do primeiro ato foi sofrível, nível toalha de plástico na mesa da sala do personagem e o figurino de doer de tanto mau gosto. O diretor de cena inventou um Siegfried de calças jeans, trancinhas à la Olodum na cabeça e barriguinha à mostra. Sem contar que os dubladores dos atores fizeram suas cenas à esquerda do palco, de braços cruzados e tomando de quando em quando um golinho d'água enquanto cantavam sem muita emoção ou talento.
Bom, apesar dos percalços e das vaias da platéia logo do anúncio da "doença" dos atores, valeu a ida. E fica a dica: comprem seus ingressos para as óperas 45 minutos antes do início. Os assentos, apesar de não tão bem localizados, são a preços módicos.

domingo, 5 de setembro de 2010

a torre de pisa




Uma das coisas que mais me "dá nos nervos", me provoca vergonha alheia e me deixa às gargalhadas é a compulsão que alguns turistas tem de imitar a pose do monumento que fotografam. Ainda não consigo entender o porquê dessas minhas reações, que surgem em cadeia e me fazem passar da indignação ao riso.
Nesse processo de imitação tem de tudo: braços abertos em frente ao cristo redentor, cara de sério ao lado de estátuas de grandes reis ou rainhas, a perninha cruzada do juquinha do cipó, duas mãozinhas posicionadas estrategicamente para segurar a torre eiffel e por aí vai.
Minha última viagem me rendeu esse espetáculo e agora descobri uma nova diversão: fotografo as poses alheias.
Ao final, rendo, eu também, minha homenagem, com uma bela segurada na roda!

olha o trem

a tranquilidade do vilarejo de corniglia, na itália, quebrada pela passagem do trem.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

o rio vai virar mar

De 20 de julho a 20 de agosto o rio Sena se transforma em mar e a calçada vira areia. Com barraquinhas, piscina, aulas de dança de salão e duchas que produzem nuvens de água, a nona edição do Paris Plages acaba fazendo a cabeça de quem não pôde viajar. Tudo bem que o sol não ajuda muito e custa a aparecer, mas até que dá pra arriscar um bíquini e um sorvete de melão.
O mais curioso é apreciar os barcos que passeiam pelo Sena repletos de turistas. A cada um que passa, vejo as mãozinhas nervosas do turista dando um tchauzinho pra quem está estirado na areia. Do barco, os turistas observam e fotografam o que vêem. Do meu puf macio, me sinto uma espécie exótica. Eles passam, observam nosso comportamento, riem, fazem comentários ao pé do ouvido, às vezes gritam até e saem em busca de novas espécies. O condutor do barco explica tudo: "aqui vocês podem observar pessoas aproveitando o sol em esteiras de borracha, com sorvetes de cor laranja na mão, blá, blá, blá".
Levanto a cabeça, observo e comento com o marido. Arrisco um discurso que vai da banalização do turismo, passa pela idéia de falta de privacidade e termina em uma análise do comportamento no mundo contemporâneo. Mas o marido nem liga. Ele me olha, dá um risinho de lado e me sugere continuar minha palavra cruzada.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada

(pedaço do muro de berlim)

(governo)

(monumento em homenagem aos judeus mortos na segunda guerra)


Se eu pudesse resumir Berlim em uma palavra seria Reconstrução.

domingo, 18 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

amsterdam é legal




Três dias em Amsterdam, cidade repleta de curiosidades e peculiaridades. Começo pelo território, abaixo do nível do mar, cheio de canais e com uma infinidade de pontes.

Como bem notou o marido, Amsterdam é vermelha: tem vermelho nas fachadas dos prédios, tem vermelho nas chaminés, tem vermelho no cabelo das pessoas, tem vermelho nas luzes de néon que iluminam as entradas das boates. Se a cidade nos deixa radiantes com sua beleza, ela nos mostra também a sombra da loucura de um ditador que um dia resolveu matar judeus para purificar uma raça: a casa onde se escondeu Anne Frank durante a guerra é o reflexo dessa obscuridade e nos deixa emocionados.

Amsterdam me pareceu resolvida: o antigo tabu formado pela dupla sex and drogs parece ter sido ultrapassado. Mais do que isso, ele é escancarado nas vitrines: as prostitutas pagam seus impostos e por isso exibem sua mercadoria atrás de um vidro; a maconha pode ser comprada e consumida na próxima esquina.

Mas Amsterdam é mais, muito mais: tem tamancos coloridos que viram vasos de flores, tem gênios como Van Gogh e Rembrandt expostos em museus, tem bondes que circulam nervosos, tem lindas e coloridas tulipas, tem bicicletas como meio de transporte.

Seja como for, Amsterdam vale uma visitinha nem que seja por um dia. Afinal, Amsterdam é muito legal! Aliás, totalmente legal.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

filarmônica de berlim



A história todo mundo já conhece: os ingressos para assistir à Filarmônica de Berlim já tinham se esgotado há tempos. Oportunidade que não se perde, a decisão foi logo tomada: vamos para a fila duas horas antes de começar.

Salle pleyel, ao lado do arco do triunfo, chuva fina. Gente elegante entrava sem parar, com seus ingressos garantidos e cara de barriga cheia.

A fila durou pouco. Em 1 hora a bilheteria informou que venderia ingressos no último minuto. Pulamos de alegria, ingresso na mão e expectativa saindo pela boca.

No programa, Wagner, Schonberg e Brahms.

O som era perfeito, a orquestra literalmente bailava, os aplausos eram intermináveis.

Sabe aquela sensação de participar da formação da história? Foi a mesma que eu tive nos seminários do Jacques-Alain Miller, genro do Lacan e intelectual pra lá de pop.

Parece que eu na beirinha da janela que dá pro mundo! E ela tá escancarada na minha frente!

Será que deixo a angústia de lado e abro os olhos?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Opéra Garnier



Outro dia resolvemos aproveitar mais a cidade e decidimos que queríamos assistir aos famosos ballets russos, no Opéra Garnier. Desejo quase impossível de realizar, visto que os parisienses funcionam através de princípios rígidos, como previsão, decisão e pagamento antecipadíssimo. Esclareço: quase todas as atividades aqui - escola, escola de dança, curso de yoga ou francês, shows, concertos - devem ser escolhidas e pagas no começo de setembro, o verdadeiro "início de ano".
Para os concertos e ballets, é preciso reza forte para mudar a cabeça de uma boa alma, que, indecisa, desistiu de ver um tal espetáculo. Fora isso, ainda tem uma feliz opção oferecida pelos teatros, que consiste em liberar alguns ingressos horas antes do espetáculo.
Como o desejo de ver o ballet, de entrar no Opéra e de pagar de gatão era grande, lá se foi o marido se instalar na longa fila que se formou duas horas antes do início do espetáculo. Esperança quase desfeita, já que a delicada moça da bilheteria começou a dizer que não valia à pena esperar porque eles só iam liberar 15 ingressos. Mas eis que apareçe a bela alma: um velhinho que chegou afobado querendo se desfazer de 2 ingressos.
Eba! Vamos ao ballet! Mas ele bem avisou: o ingresso é barato, então o lugar nem é tão bom. Ora bolas, nem é tão bom! Como pode, ir ao Opéra e nem ser tão bom! É claro que queremos, monsieur! E lá se foram os nossos 12 euros (6 cada ingresso) pro moço.
Entramos, lugares separados, mas sem problemas. O camarote é deslumbrante, o teatro, fundado em 1661 é de chocar, os lustres, o teto, o palco, a orquestra, nossa! Dá uma emoção! Cheguei no meu lugar e.. bom, é verdade que EM PÉ, eu só via um terço do palco. Às vezes nem dava pra acompanhar todo o movimento do bailarino... Mas a companhia encenou Petruska, do Stravinsky - que eu mesma já dancei outrora! - e pra mim era só fechar os olhos e lembrar da continuação de seus passos e piruetas. E apesar deles dançarem diante de mim pela metade, a coreografia fantástica estava inteira desenhada na minha mente sonhadora.

domingo, 31 de janeiro de 2010

barco no sena





uma boa pedida pro verão é andar de bateau pelo rio sena!

custa 10 euros e você pode entrar e sair do barco quantas vezes quiser durante o dia.
funciona de 9 às 21!

pra quem quiser jantar nos barcos, é só pagar 60 euros (entrada, prato, sobremesa).

dá um sono compulsivo, mas é lindo!

fotinhas pra apreciar!!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

rodin!



Já tinha ouvido falar várias vezes que o Museu Rodin não valia uma visita, a não ser pelos seus jardins. O Museu, que fica em um antigo hotel (Hôtel Biron) onde já moraram ilustres como Matisse, Cocteau e o próprio escultor, é pra mim deslumbrantemente belo. E dos dois lados.

Nos jardins, que foram reduzidos pela metade após uma reforma em 1910, se encontram umas 15 esculturas de Rodin. Para se ter acesso a elas, basta pagar 1 euro, ao contrário dos 6 cobrados para se visitar também o lado de dentro (e de graça no primeiro domingo do mês).

Mas o fato é que, se as "dicas" dizem que o museu vale à pena mesmo do lado de fora (onde está O Pensador), acrescento que o lado de dentro é magnífico. São 16 salas que abrigam umas tantas das 160 esculturas que o artista esculpiu em 77 anos de vida. Isso sem falar de uma sala dedicada a Camille Claudel, a louca, aprendiz da arte e do amor.

Virou meu museu preferido, pelo menos até o momento!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

catacumbas? só na foto

E por falar em sepultura, a ossada municipal de Paris foi fechada à visitação pública na segunda-feira. A origem das sombrias catacumbas parisienses remonta ao século VIII, onde estava localizado o antigo cemitério dos Inocentes. Depois de ter servido por mais de 10 séculos aos defuntos de toda Paris, esse antigo cemitério foi finalmente interditado pelo governo por ter se transformado em um verdadeiro foco de infecções e acabou se tornando este incrível depósito mórbido, porém elegante, de caveiras e ossadas. Hoje, após terem sido múltiplas vezes depredadas, as catacumbas só poderão ser vistas no olhar do fotógrafo Olivier Mériel, que as dedica uma exposição, nos convidando a descobrir uma outra relação com a morte.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

delírios e sonhos em Giverny






Dia desses conheci a casa onde morou Claude Monet durante 43 anos. Famoso por suas pinturas que retratam belos jardins, Monet não deixou por menos. Mandou construir uma casona e um jardim escandalosos na pequetita cidade de Giverny, além de um delicioso jardim de água! A casa, que se transformou em uma fundação (e cobra 6 euros a entrada), tem cômodos gigantescos e coloridos (destaque pra sala de jantar amarela), além de várias obras dele dependuradas nas paredes da sala de estar, trazidas especialmente do museu Marmottan Monet para uma temporada de visitas na casa. E como ele era um forte apreciador de arte japonesa, encontramos nas paredes dos outros cômodos mais de 40 estampas de Utamaro, umas 45 do Hokusai e outras tantas do Hiroshige, somando mais de 100 obras! Tudo à 88 km de Paris! Profitez-en!

domingo, 28 de junho de 2009

dia de domingo


e hoje nós trabalhamos!
é claro que não foi por pura falta do que fazer, mas por ausência absoluta de notas de 10 euros em nossos bolsos.
o restaurante já era conhecido do marido, afinal ele vai lá todos os dias da semana ganhar a baguete nossa de cada dia.
foi minha primeira vez do lado de lá da cidade, já que esse restaurante que a gente trabalhou fica em boulogne, ali, ao lado do bois de boulogne, um parque realmente enorme, que deve dar uns 20 parques municipais.
como a gente mora no leste, atravessamos minha querida paris e em 1 hora estávamos no restaurante jour de boulogne!
devo dizer que o dinheiro foi fácil, pois cliente mesmo não havia nenhum.
acabado o horário, direto pro quartier latin.

sério, nunca tinha ido, a não ser uma passadinha tímida num janeiro frio de uns anos atrás.
o passeio culminou no panthéon, que de tão impressionante, recebeu a nossa visita!
entramos por 8 euros per capita (ou seja, tudo o que havíamos ganhado no restaurante hoje) e logo soube de uma visita guiada, gratuita, rumo ao topo do panthéon!
a guia francesa, educada e sorridente (serão os efeitos do verão?), nos levou até uma escada de caracol e nos preveniu sobre possíveis vertigens.
a histeria já foi logo baixando em mim e quase ensaiei um possível desmaio, mas achei que era arte demais prum dia só.
do alto dele, paris é uma coisa de linda, sobretudo pelas chaminés vermelhas multiplicadas por mil.

depois descemos, demos um alô ao rousseau, ao voltaire, ficamos debatendo sobre o pêndulo de foucault (léon e não o outro) e fomos direto pro jardin de luxembourg, dar um rolé.
e que delícia de rolé!
flores, crianças brincando, casais se beijando, apresentação de coral, tudo que um belo domingo besta merece.

mas o que mais me impressionou de tudo isso, foi um mendigo que nós vimos em frente à sorbonne: sentado no chão, potinho de moedas à frente, meia dúzia de pertences sujos jogados à esquerda, e uma concentração absurda um em bom livro de literatura francesa.

isso é que é cultura!