domingo, 13 de fevereiro de 2011

o impossível encontro

Devo dizer que o contato com um povo diferente do nosso, que não partilha com a gente as mesmas atitudes diante de determinadas situações ou que não tem os mesmos hábitos que os nossos pode nos chocar e nos deixar em um estado de incompreensão total. As perguntas não cessam de se repetir: quem são essas pessoas? por que elas agem assim? por que respondem assado?
Bom, o fato é que desde que aqui cheguei, vivo num processo de tentar entender a lógica que faz funcionar o povo francês, que traz nas entonações da fala ou no caminhar apressado o peso de uma tradição que não consigo penetrar.
Na verdade, esse processo de compreensão dos franceses me parece tarefa interminável. Quando acho que os entendi, que decodifquei seus códigos e que compreendi seus sinais, levo uma bofetada e entendo que há um hiato que nos deixará separados para sempre.
Conhecer uma cultura, um povo, uma terra não é coisa pra alguns meses. Pode-se ficar anos numa cidade, viver séculos num país estrangeiro e ainda assim, não o compreender.
Há sempre algo na mentalidade de um povo que nos escapa, que passa batido e que por algum motivo estranho, nunca vamos compreender.
Aliás, digo bobagem: o encontro com o outro, estrangeiro ou não, sempre deixará lacunas. O encontro com o outro sempre carregará a marca de um impossível.

2 comentários:

Joli disse...

Amore, amei este texto, tamanha a verdade que ele representa...beijos, Fer

nuestras estorias disse...

que bonita e que clareza pra expressar um pensamento, um sentimento, uma sensação! este texto me lembra o livro identidade do bauman e uma frase de caio fernando abreu que diz: minha pátria é minha língua. beijos, adorei!!