quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

o nome dele é dudamel



Ele chegou um pouco tenso. As duas primeiras foram regidas de maneira comportada, compenetrada, reta. Os fracos aplausos que se seguiram foram, de acordo com o veredito do marido, devido à natureza musical: "muito difícil de entender pelo grande público", ele me cochichou no intervalo.

Um xixi rápido e lá estava eu, de volta com a bunda (já quadrada) na cadeira encoberta de veludo vermelho (nada confortável) da esplêndida Salle Pleyel, a sala de concertos mais charmosa da cidade. Estava a espera do desfecho final, tentando imaginar como aquele garotão de 29 anos, venezuelano e regente há 2 da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, iria derramar seu dito talento na platéia exigente e "chique" que o aguardava.

Aí foi o tal negócio. O cara chegou, levantou os braços e daí em diante foi surpresa atrás de surpresa. Começou a me parecer impossível seguir aquela música sem abrir largos sorrisos ou emitir baixinho um delicioso "oh!" a cada gesto novo que saía dele.

Regeu como nunca tinha visto. Era um repertório tradicionalíssimo, sem maiores segredos, mas ele conseguiu tirar da orquestra um som outro, uma emoção diferente, um brilho criativo. Durante várias passagens regeu com a sobrancelha e num certo ponto, desceu os braços e ficou só admirando a orquestra brilhar. Mas, certamente, quem brilhou foi ele.

A platéia não perdoou. Como nunca tinha visto antes por aqui, me vi diante e literalmente diante, da platéia (quase) inteiramente de pé, aplaudindo durante seus habituais e ininterruptos 13 minutos.

O marido, exaltado, logo faz o segundo veredito importante da noite: "esse cara é demais! ele vem do novo mundo"!

Sugeri tietar. Esperamos o regente pop na saída dos artistas e ele não decepcionou! Já chegou de braços abertos e ao nos ver mandou um "hola!" extasiado. Eu também não decepcionei e já mandei um "belíssimo" e saquei logo minha caneta preta de tinta de canetinha, prum autógrafo-tietagem-canastra.

Pra detalhar melhor o concerto, o programa foi:

Adams

Bernstein (sinfonia número 1)

Beethoven (sinfonia número 7)

E posso dizer que foi uma delícia, prum dominguinho besta e frio como aquele.


http://liveweb.arte.tv/fr/video/Dudamel_dirige_le_Philharmonique_de_Radio_France_et_le_Bolivar_Youth_Orchestra/

5 comentários:

Maria Marta disse...

Adorei. Lindo de morrer,como diz o brasileiro.Ah..ah...Grande maestro e também ,é claro juntamente com grandes músicos.Parabéns.

nuestras estorias disse...

fabi, vc viu o filme russo em cartaz no cinea, "o concerto"? este post me lembrou. bjos

fabi disse...

não vi carol, mas vou vê-lo já! obrigada pela dica!

Eu, a Vanessa Marques disse...

super legal msm

=]

bju
http://qrolecionar.blogspot.com

fabi disse...

obrigada, querida vanessa