quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

champagne

como o último dia do ano é o dia internacional do champagne, eis uma lista dos melhores (que devem ser servidos a uma temperatura de 4 graus):


1. Armand de Brignac Brut Gold

2. Dom Perignon 2000

3. Mumm Cuvee R. Lalou 1998

4. Roederer Cristal 2002

5. Egerier de Pannier 2000

6. Pol Roger Cuvee Sir Winston Churchill 1998

7. Dom Perignon Rose 1998

8. Jacquart Blanc de Blancs 1999

9. Roederer Cristal Rose 2002

10. Chartogne-Taillet Fiacre (sem data)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

paris neva a cântaros!




belas paisagens do dia de hoje...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

l'hiver


coisa feia essa de ficar metendo o pau no inverno.

na verdade, é tudo lindo, a neve não faz barulho quando cai e não molha a gente como a chuva.

o vento eterno de paris fica nível congelante e os bares te convidam prum cheiroso e também gostoso expresso italiano.

mas como existem aqueles que se adaptam mal ao calor, que ficam suados o dia inteiro até o sovaco ganhar o aspecto pizza, eu sou daquelas que se adaptam mal ao inverno, que fica com o nariz escorrendo o dia inteiro até ele ganhar um aspecto de rena de natal.


então, tá bom, vai, o inverno ainda tem seu lado romântico, embora introspectivo
e belo, embora duradouro.

sábado, 27 de novembro de 2010

cap au pire

Minha visão do inverno sempre foi romântica. Via filmes de sessão da tarde de um Natal passado em Nova Iorque e sentia uma inveja boa das crianças que se divertiam fazendo bolinhas de neve. Na maturidade, o inverno ganhou pra mim ares mais chiques e não raro me pegava fazendo pose no espelho à la Catherine Deneuve, tentando imitar seu estilo gracioso, sério e elegante como em Belle de Jour.

Mas isso mudou. Tenho vivido neste momento o segundo grande inverno da minha vida. Nascida e criada na cidade ensolorada, com temperaturas mínimas de 15 graus, a partida para o estrangeiro me trouxe essa novidade: sou obrigada a passar quase 7 meses no frio, sendo que em 3 ou 4 deles a temperatura chega a zero grau. Sem falar do vento e da chuva.
O primeiro foi mais doloroso. Saía de casa como um astronauta e, com a cabeça na lua, andava pelas ruas lentamente, tentando me equilibrar no solo deslizante e lameado que a neve derretida provocava. Ao meu lado desfilavam, com uma elegância vazia, as madames com seus casacos de pele e luvas compridas de couro. O inverno daquele ano durou muito mais do que os seus 3 meses de direito: invadiu a primavera e ainda ousou diminuir as temperaturas do verão.

Bom, é fato que esse ano estou mais preparada fisicamente: deixo sair do armário meus cachecóis, meus casacões que protegem até o tornozelo, luvas de lã, boné, tapa-orelha, meias grossas, lenços de papel. Devo dizer que algo mudou nessa relação sempre desigual com o inverno, pois na conquista do meu espaço invernal, não sou mais astronauta. Sei o que vestir, como vestir, digo até que me sinto mais habituada à baixa temperatura.

Entretanto, apesar de ser dessas que pertencem ao lado escuro da vida, que amam o drama e puxam angústia, a passagem do inverno na minha vida deixa meu afeto embotado.

Chique é um inverno de duas semanas, mas de 4 meses? A luz chega às 9 da manhã, vai embora às 4 e meia da tarde, as pessoas não trocam e não se tocam. O céu é absolutamente cinzento; o ar, gélido. Sem falar do vento e da chuva...

Creio que a minha visão do inverno é infernal: chego a ter arrepios e calafrios de horror. O romantismo deu lugar à crueza. A elegância cedeu espaço à frieza. Contra seus malefícios, a música ajuda a criar o quadro de uma exposição perfeita do sentimento de melancolia profundo que experimento nessa época:
http://www.youtube.com/watch?v=ugDBKDdW1ps

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

dia de neve




a neve de hoje, embora doce e rápida, me deixou nostálgica e com uma saudade doída do sol.
deixo então fotos de vernazza, uma das cinque terre, na região da riviera italiana.



terça-feira, 16 de novembro de 2010

a.d.o.r.o




não deixem de visitar esse blog de um apaixonado por paris e nova york!





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

33


a você

que como eu

tem a idade de cristo

quando morreu

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bom Dilma, Brasil

Minha participação nesta campanha eleitoral foi pequena. Não li propostas de governo, não escutei as opiniões dos cientistas políticos, dos debates só acompanhei um e pela metade... Mas hoje saí de casa para exercer meu “direito obrigatório” ao voto. Apesar da participação à margem, as repercussões das campanhas de Dilma e Serra chegaram até mim e delas pude recolher os restos: discursos vazios, apelações, intrigas, sabotagem.

Sem muita informação, sem dados do governo anterior ou do atual e guiada somente pelos meus princípios e pela minha percepção da vida em sociedade nos últimos anos, saí de casa determinada a votar com justiça.

No caminho, o que na minha cabeça eram apenas burburinho e disse-me-disse foi tomando forma de decisão. Não sou petista. Não sou partidária. Mas sou humanista. Meu antigos canhotos de votação marcados com os nomes de meus então candidatos, me colocaram frente-à-frente com meu passado eleitoral. Redescubro que quase sempre votei em pessoas que acreditava que fossem trabalhar pelo bem comum, pela ética social. Pensei no Lula, de quem a biografia li em francês e em quem votei três vezes. E reconheço como deve ter sido difícil para alguns ter tido como líder da nação um homem do povo, sem instrução escolar, sem diploma superior. É fato que quando votamos em alguém, votamos também por identificação: esse fulano poderia me representar e representar todo o meu povo. E de repente, logo Lula pra me representar diante da Rainha da Inglaterra? Do presidente americano? Ah, que grande golpe no narcissismo de muitos foi ter Lula presidente.

Mas eu, como tantos outros, não sentia e não sinto vergonha, mas orgulho de tê-lo como presidente. Pela sua luta, pela sua proposta, mas sobretudo pela verdade do seu discurso. Pensei nas pessoas pra quem a vida melhorou: elas mudaram de classe, o acesso aumentou, a classe média engordou. É, nem sempre é fácil aceitar isso, principalmente pra aqueles que já eram da classe média e que não ganharam mais dinheiro... mas viram os pobres sentarem-se ao seu lado na revendedora de carros.

A classe média (e média alta) viu o “pobre” disputar com ele uma vaga no curso de um novo programa de computador, eles se cotovelaram na fila do financiamento da casa própria. Alguns tiveram – pasmem - que aumentar o salário dos seus empregados. Surpreenderam-se quando o eletricista comprou um novo aparelho de som pro carro ou quando a faxineira passou a cobrar 5 reias a mais por dia de faxina pesada (chega às 8 vai embora às 18 – que folgada!).

A sociedade que um dia já foi escravagista, teve que olhar para o lado e enxergar que ali não tem um "pobre", a quem ele pode destratar porque é "pobre", a quem ele pode expulsar da loja porque não está de tênis mas de chinelos (são havaianas, mas aquelas antigas de tiras verde-água). A classe média e média alta teve que enxergar que ao lado dela tem um cidadão, com desejos, vontades e sonhos, até mesmo de consumo. Como ela. Como todo mundo.

Penso nisso e aperto o botão do futuro. Se as minhas opções são Serra ou Dilma, ora...

Sim, quero Dilma presidente.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

reflexões

por
CONTARDO CALLIGARIS
Para que serve a psicanálise?
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"A ASSOCIAÇÃO Internacional de Psicanálise (IPA) foi fundada em 1910. Presente em 33 países, com mais de 12 mil membros, ela festeja seu centésimo aniversário. Aos colegas da IPA (embora eu tenha me formado numa de suas dissidências), meus sinceros parabéns.
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A festa é uma boa ocasião para perguntar: para que serve, hoje, a psicanálise?
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A campanha eleitoral em curso me ajuda a escolher uma resposta. Repetidamente, o presidente Lula e Dilma Rousseff se apresentam como pai e mãe dos brasileiros. Em 17/8, Lula declarou: "A palavra não é governar, a palavra é cuidar: quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo, como a mãe cuida de seu filho".
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No dia seguinte, Marina Silva comentou: "Querem infantilizar o Brasil com essa história de pai e mãe". Várias vozes (por exemplo, o editorial da Folha de 19/8) manifestaram um mal-estar; Gilberto Dimenstein resumiu perfeitamente: "Trazer a lógica familiar para a política significa colocar a criança recebendo a proteção de um pai em vez de um governante atendendo a um cidadão que paga imposto".
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Entendo que um presidente ou uma candidata se apresentem como pai ou mãe do povo. Embora haja precedentes péssimos (de Vargas a Stálin, ao ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-il), estou mais que disposto a acreditar que Lula e Dilma se expressem dessa forma com as melhores intenções.
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O que me choca é que eleitores possam ser seduzidos pela ideia de serem cuidados como crianças e preferi-la à de serem governados como adultos. Se o governo for paternal ou maternal, o que o cidadão espera nunca será exigível, mas sempre outorgado como um presente concedido por generosidade amorosa; o vínculo entre cidadão e governo se parecerá com o tragipastelão afetivo da vida de família: dívidas impagáveis, culpas, ciúme passional etc.
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Alguém gosta disso?
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Numa psicanálise, descobre-se que a vida adulta é sempre menos adulta do que parece: ela é pilotada por restos e rastos da infância. Ao longo da cura, espera-se que essa descoberta nos liberte e nos permita, por exemplo, renunciar à tutela dos pais e ao prazer (duvidoso) de encarnarmos para sempre a criança "maravilhosa" com a qual eles sonhavam e talvez ainda sonhem.
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Tornar-se adulto (por uma psicanálise ou não) é um processo árduo e sempre inacabado. Por isso mesmo, a quem luta para se manter adulto, qualquer paternalismo dá calafrios -ou vontade de sair atirando, como Roberto Zucco.
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Roberto Succo (com "s"), veneziano, em 1981, matou a mãe e o pai; logo, fugiu do manicômio onde fora internado e, durante anos, matou, estuprou e> sequestrou pela Europa afora. Em 1989, Bernard-Marie Koltès inspirou-se na história de Succo para escrever "Roberto Zucco", peça admiravelmente encenada, hoje, em São Paulo, na praça Roosevelt, pelos Satyros.
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Na peça, Zucco perpetra realmente aqueles crimes que todos perpetramos simbolicamente, para nos tornarmos adultos: "matar" o pai, a mãe e, dentro de nós, a criança que devemos deixar de ser.
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O diretor da peça, Rodolfo García Vázquez, disse que Zucco é um Hamlet moderno. Claro, para Hamlet, como para Zucco, o parricídio é uma espécie de provação no caminho que leva à "maioridade". Além disso, pai, padrasto e mãe de Hamlet eram reis, e o pai de Succo era policial. Para ambos, o Estado se confundia com a família.
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Se o Estado é um pai ou uma mãe para mim, eu não tenho deveres, só dívidas amorosas, e, se esse Estado me desrespeita, é que ele me rejeita, que ele trai meu amor. Por esse caminho, amado ou traído pelo Estado, nunca me considerarei como um entre outros (o que é uma condição básica da vida em sociedade), mas sempre como a menina dos olhos do poder.
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Agora, se eu me sentir traído, não me contentarei em mudar meu voto, mas procurarei vingança no corpo a corpo, quem sabe arma na mão; pois essa é a linguagem da paixão e de suas decepções. O paternalismo, em suma, semeia violência.
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Enfim, se é verdade que muitos prefeririam ser objeto de cuidados maternos ou paternos a serem "friamente" governados, pois bem, nesse caso, a psicanálise ainda tem várias boas décadas de utilidade pública entre nós.
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É uma boa notícia para a psicanálise.
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Não é uma boa notícia para o mundo fora dos consultórios."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

elogio do dia

- Pardon? Não entendi...
- Disse 8,35 euros, madame. Você sabe, é o meu sotaque brasileiro...
- Ah, mas não o perca, ele é muito bonitinho. É o sotaque do sol! Tenho a impressão de ver o sol quando te escuto falar!

Parece tolo, mas essa desconhecida francesa me deixou um pouco mais alegre hoje.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ruídos ruínas

ouço a tua melodia
advinda de um violão
faltando cordas
e por ela sou tragada
.
.
com tuas vestes noturnas
me invades com conversas sem nexo
diálogos entrecortados
risos breves
.
.
diante do teu beijo
me faço tua
mais do que me faço agora
escrevendo o sentimento que não toca
.
.
ouço o acorde de teus gemidos
ensaiando uma melodia perversa
falamos outra língua
nosso cigarros tem marcas diferentes
.
.
diante do teu desejo
me faço nua
e para que você me possua
basta-lhe um pequeno gesto
.
.
o tempo, lento, baila
e eu aqui fico
querendo te ter em particular
longe de todo olhar
que não o teu

domingo, 3 de outubro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

o terror

Depois de aprovar a lei que proíbe o uso da burca em locais públicos e provocar a fúria de grupos radicais islâmicos, o governo Sarkozy acaba de fechar o cerco contra os franceses de origem estrangeira. Em defesa da identidade francesa, o governo estabeleceu critérios mais rigorosos para os possíveis candidatos a obterem a nacionalidade francesa, como entrevistas regulares para saber se o futuro francês assimilou bem a nova cultura e a nova língua. Além disso, afirmou que pessoas que desacatam policiais ou autoridades e que possuem origem estrangeira não só perderão a nacionalidade como poderão ser expulsas do país.
Um verdadeiro contrasenso para um presidente que é, ele mesmo de "origem estrangeira", filho de pai húngaro que imigrou para a França. E se ele resolver expulsar os "falsos" franceses, para onde pretende reenviá-los? E aqui estamos falando de pessoas nascidas na França, criadas na França, educadas na França e que tem nacionalidade francesa, reconhecida pelo governo francês. Ou seja, estamos falando de franceses. Mas o governo está em busca dos verdadeiros franceses, idéia que guarda um parentesco não muito longínquo com a eugenia. Existem afinal os verdadeiros franceses?
Talvez não seja à toa que os especialistas da inteligência francesa anunciaram um ataque terrorista iminente no país. Em menos de 1 mês, duas suspeitas de bomba na Torre Eiffel e mais de uma dezena em estações de metrô.
Todas falsas, é verdade. Mas o medo só aumenta...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

e só dá Brésil

O Brasil é o tema de capa de 3 importantes revistas francesas dessa semana, dentre elas a edição especial do Le Monde hors-série! Além de exaltarem o Brasil como um gigante, uma potência em ascensão e um país alegre e do bem, não hesitaram em elogiar o governo LULA e suas políticas sociais.

Apesar dos graves problemas que ainda temos, somos a grande promessa do futuro! E saibam: cada vez mais me parece que a França e toda a Europa estão não só em crise econômica grave como em decadência. O velho mundo ainda tem pose, ainda tem charme, mas seu interior começa a se desmoronar...

Quem está aí talvez não veja tanto, não sinta tanto, mas aqui, de fora, do exterior, o Brasil é a grande potência em ascensão! Abaixo às políticas da insatisfação impostas pelo EUA! Estamos bem, pessoal, acreditem! Nossa vez chegou!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

à la francesa

Chegando ao "Serviço francês do emprego", órgão responsável em acolher as demandas dos desempregados, sou recebida por uma atendente educada.
Assim se passou o diálogo:
-Em que posso ajudá-la, senhorita?
-Sou estudante do curso de doutorado da Paris 7, brasileira, psicóloga e atualmente estou sem trabalho. Eu gostaria que o serviço me ajudasse a encontrar um emprego.
-Como psicóloga?
-Sim...
-Não precisamos de psicólogos na França, senhorita. Mas se quiser se cadastrar, sempre há uma esperança.
-...

domingo, 5 de setembro de 2010

a torre de pisa




Uma das coisas que mais me "dá nos nervos", me provoca vergonha alheia e me deixa às gargalhadas é a compulsão que alguns turistas tem de imitar a pose do monumento que fotografam. Ainda não consigo entender o porquê dessas minhas reações, que surgem em cadeia e me fazem passar da indignação ao riso.
Nesse processo de imitação tem de tudo: braços abertos em frente ao cristo redentor, cara de sério ao lado de estátuas de grandes reis ou rainhas, a perninha cruzada do juquinha do cipó, duas mãozinhas posicionadas estrategicamente para segurar a torre eiffel e por aí vai.
Minha última viagem me rendeu esse espetáculo e agora descobri uma nova diversão: fotografo as poses alheias.
Ao final, rendo, eu também, minha homenagem, com uma bela segurada na roda!

olha o trem

video

a tranquilidade do vilarejo de corniglia, na itália, quebrada pela passagem do trem.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

freudiana

para quem tem olhos para ver
e ouvidos para ouvir
não há segredo humano que possa ser escondido.
a verdade escapa pelos poros.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

o rio vai virar mar

De 20 de julho a 20 de agosto o rio Sena se transforma em mar e a calçada vira areia. Com barraquinhas, piscina, aulas de dança de salão e duchas que produzem nuvens de água, a nona edição do Paris Plages acaba fazendo a cabeça de quem não pôde viajar. Tudo bem que o sol não ajuda muito e custa a aparecer, mas até que dá pra arriscar um bíquini e um sorvete de melão.
O mais curioso é apreciar os barcos que passeiam pelo Sena repletos de turistas. A cada um que passa, vejo as mãozinhas nervosas do turista dando um tchauzinho pra quem está estirado na areia. Do barco, os turistas observam e fotografam o que vêem. Do meu puf macio, me sinto uma espécie exótica. Eles passam, observam nosso comportamento, riem, fazem comentários ao pé do ouvido, às vezes gritam até e saem em busca de novas espécies. O condutor do barco explica tudo: "aqui vocês podem observar pessoas aproveitando o sol em esteiras de borracha, com sorvetes de cor laranja na mão, blá, blá, blá".
Levanto a cabeça, observo e comento com o marido. Arrisco um discurso que vai da banalização do turismo, passa pela idéia de falta de privacidade e termina em uma análise do comportamento no mundo contemporâneo. Mas o marido nem liga. Ele me olha, dá um risinho de lado e me sugere continuar minha palavra cruzada.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada

(pedaço do muro de berlim)

(governo)

(monumento em homenagem aos judeus mortos na segunda guerra)


Se eu pudesse resumir Berlim em uma palavra seria Reconstrução.

domingo, 18 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

o lado animal de freud





A exposição do Lucian Freud no pompidou vai até dia 19 de julho. Demorei pra ir, embora já a tivessem me recomendado desde a abertura da temporada. Já fui duas vezes e irei mais uma. A exposição é assustadora. Seja pelos auto-retratos, seja pela valorização crua do nu, a exposição retrata o atelier do artista, apresentando, além dos quadros, dois vídeos e fotos bárbaras. Lucian Freud busca retratar o lado animal do ser humano, pintar sua carne, penetrar em suas entranhas. O resultado é um choque e a esta experiência ainda não consigo encontrar palavras que dêem conta de defini-la.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ai

trabalhar 10 horas e meia enfurnada numa casa com duas crianças barulhentas, de cabelo sujo e que comem meleca o tempo todo ganha uma proporção desesperadora quando se sabe que do lado de fora está fazendo 29 graus...

terça-feira, 29 de junho de 2010

é preciso continuar, não posso continuar, vou continuar

Tudo muda. Vim pra Paris inscrita no doutorado em literatura francesa na Universidade Paris 8 pra estudar Samuel Beckett e psicanálise. Insatisfeita, resolvi pedir uma transferência pro doutorado em Psicanálise na própria Paris 8, mas tive o pedido recusado. Fazer doutorado em Psicanálise na Paris 8 exigia um mestrado também em Psicanálise, e o que eu tinha era um mestrado em Psicologia... Eles disseram, após entrevista, que me aceitariam no segundo ano de mestrado e só depois eu poderia tentar uma vaga no doutorado. Com isso, teria um ano a mais do previsto na França.
Concomitantemente, pedi transferência de faculdade: entrei com um pedido de inscrição de doutorado em Psicanálise na Paris 7 e o pedido demorou uma vida pra ser analisado! Nesse tempo de espera, resolvi me matricular e frequentar o segundo ano do mestrado em psicanálise na Paris 8 e estudar Beckett. Mas quando o pedido da Paris 7 foi finalmente aceito, já estava apegada demais no mestrado na 8 e envolvida até o pescoço com o Beckett.
Como indecisão e apego são minhas palavras de ordem, comecei uma espécie de sofrimento mental, doloroso. Precisava decidir entre largar o mestrado em uma e fazer de vez o doutorado na outra, mas sabem como é, apeguei... e não larguei..
Como o tema do mestrado e do doutorado era sempre Beckett, resolvi continuar no mestrado na 8 e matricular-me no doutorado na 7.
Bom, a conclusão é que hoje, depois de um ano e quatro meses, defendi meu mestrado em psicanálise na Paris 8, sobre Beckett!!! E tive um delicioso "très bien" como menção e um segundo mestrado!!!
Agora, vou pro doutorado, enfrentar esse longo e solitário caminho. Sem Beckett pra me acompanhar, mas, em todo caso e agora mais do que antes, feliz!
video

sexta-feira, 25 de junho de 2010

:)

e viva o verão! finalmente, 26 graus, muito sol, piqueniques e passeios de bike!

terça-feira, 22 de junho de 2010

frio

Dia 21 de junho, início do verão, festa da música. E Paris os recebeu, o verão e a festa, com muito vento, céu cinzento e míseros 12 graus...

domingo, 20 de junho de 2010


Se é triste assistir aos jogos do Brasil longe da pátria amada, a alegria advém quando ouvimos os comentários dos narradores estrangeiros sobre o Brasil. Por aqui, somos chamados de Seleção, ou melhor, "seleçaó", no sotaque francês! O time brasileiro aqui tem nome próprio, é visto como diferente, superior em relação às outras seleções, mais apurado nas jogadas e com certeza o favorito dentre todas as outras! Os comentaristas franceses falam bem da "seleçaó" o tempo todo, não poupam elogios a quase todos os jogadores, vibram com as jogadas e acreditam demais que o kaká vai desabrochar ao longo da competição. Além disso, eles também se indignam diante das faltas maldosas cavadas pelos africanos da Costa do Marfim (gritando "c'est un scandale ça!!") e se divertem com os belos dribles de Elano e Robinho. Enfim, mesmo se ao marcarmos um gol não ouvimos o estridente gooooooooool tipicamente brasileiro, mas um tímido "but, allez seleçaó", assistir à copa do outro lado do atlântico tem sido uma experiência que tem nos dado um orgulho danado!

sábado, 19 de junho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

e agora, josé?



Ela estava acostumada a ler romances de autores já mortos. Não que se tratasse de uma escolha consciente, mas seu interesse se voltava constantemente para aqueles livros que mais pareciam lições vindas de um antepassado muito sábio que um dia nos deixou como legado seus ensinamentos. Mas desde que havia lido um romance de um autor vivo, não sabia mais como se comportar. A admiração que nascia nela vinha da certeza de encontrar nele um certo virtuosismo da pluma, característica do autor morto. Ele a apresentava o verdadeiro trabalho de uma produção literária. A simplicidade com que ele tratava assuntos caros a ela não explicava, contudo, o mistério provocado nela por esse deslumbramento pelo vivo. Ele produzia cada vez mais, cada vez mais um, multiplicando nela os sonhos, mudando a proporção das coisas e inventando a cada velha história uma nova visão de mundo.

E então, de repente, ele não vive mais. A obra está acabada. Saramago ocupa de vez na cabeça dela o lugar do sábio.

;)




na polka galerie, na exposição do rodrigo albert

terça-feira, 15 de junho de 2010

brésil

Como a tv francesa só começa a transmissão dos jogos 1 segundo antes de rolar a bola, entretenho-me na preparação do menu da vitória: pão de queijo (massa de preparo por 4,4 euros 100g), guaraná antárctica (4,60 euros 1 litro) e cerveja chinesa Tsingtao (1,00 euro pelos 600ml).

domingo, 13 de junho de 2010

:)


Para todo mundo, surpresa
Para nós, certeza
Para os demais, loucura
Para eu e você, ternura

Para outros até, rancor
Para nós, o que é? Amor
Para o civil, casados
E para sempre namorados.
(de felipe para fabiana, 12 de junho de 2008)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

en concert

Caetano Veloso e Mina Agossi dia 27 de junho, no La Défense Jazz Festival, 18:00h.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

copa!




Copa do mundo à vista e uma vontade louca de estar entre iguais. Por aqui, a imprensa é mais tímida: nada de cobertura completa, nada de avaliação do perfil tático-técnico de cada equipe, nada de entrevista emocionante com a família do jogador, nada de coração na boca na espera da estréia. Tudo bem que às vezes somos da opinião que o Brasil exagera. Afinal, muita gente nem trabalha em dias de jogo da seleção. Mas o certo é que a cobertura da copa por aqui me parece menos performática, menos espalhafatosa, menos dramática. Então, por mais que eu tenha xingado durante toda a minha existência a chatice do Galvão Bueno, hoje me traio e confesso: ô vontade de escutar um "vai que é sua Júlio César, estamos de volta em definitivo no estádio x, bem amigos da rede globo, sentindo cheiro de gol, acertou o Arnaldo" e outras pérolas. Infelizmente, a globo internacional não transmite os jogos da seleção e assistir pela internet é meio osso.

terça-feira, 8 de junho de 2010

o corre-corre

dias quentes. fim de semestre. correria. vento, muito vento. cerejas doces e sorvete de framboesa. copa do mundo longe de casa (a primeira). expectativa da defesa - em francês!
e vento, muito vento...

terça-feira, 25 de maio de 2010

finalmente, gente

paris acordou pegando fogo: 35 graus, bicicleta e sorvete de melão!!!!

domingo, 23 de maio de 2010

quatro anos atrás

você foi embora
deixou um vazio no meu peito
seu riso num álbum de fotografias
congelado, tentando enganar o tempo.

e eu fiquei aqui
pensando em você
no seu cabelo vermelho
no seu riso fácil.

pra você o sentido da vida estava no fundo
e não tinha medo de nela entrar
mesmo que fosse pra descobrir
que era um fundo sem fundo.

você queria a vida
queria o acontecimento
entre você e o agora não havia intervalo
por isso viva tanto e tão intensamente.
vivia amando a vida e o que por ela passasse.

agora é aquela velha história
você virou saudade...

então sigo vivendo
num mundo sem sonho sem ilusão
e de noite quando lembro
eu sinto um aperto no meu coração

e durmo...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

o medo

Ao cair da tarde, meu estudo foi interrompido por uma campainha que soou nervosa. Com preguiça de atender a porta por saber da raridade das visitas que chegam sem avisar, comecei a me levantar da cadeira lentamente quando o sujeito do lado de fora pareceu estar impaciente. Não contente com a campainha, ele bateu na porta fortemente e de uma maneira tão insolente que fez o marido se levantar do sofá onde dormia, com cara de indignação.
Perguntei ainda com a porta fechada: quem é? E ouvi um sonoro: é a polícia, madame! Minha nossa, o que será que fiz? Querem ver meu documento de identidade, conferir se eu pago o aluguel em dia, saber se meu visto vai vencer, me questionar se já acabei de escrever minha dissertação?
Coração na boca, o marido reitera a pergunta: quem é?
É a polícia, monsieur!
Ai gente, que dor de barriga momentânea, agora fudeu, o que eles querem, será que foi o vizinho do antigo prédio que reclamou sei lá o quê da gente, será que alguém achou ruim porque a gente deixou nossa cama na rua, será que somos, afinal, culpados? Abrimos a porta, enfim, e nos deparamos com 3 policiais.
Sua chave está na porta, madame!
Hein?
A chave, está na porta, vocês esqueceram a chave de vocês na porta.
Ah! Mas, como vocês entraram aqui no prédio?
Pela porta, madame!
Mas aconteceu alguma coisa?
Não, madame, estamos fazendo a ronda policial.
Ah...
Fechamos a porta e nossos risos nervosos duraram uns 5 minutos. Acostumada que estou em ter medo de polícia por achar que ela é às vezes pior que bandido, confesso que tive medo. Medo bobo, medo de sei lá o quê, mas tive medo... Afinal, onde foi que aprendi a ter medo de polícia?

...

uma pessoa
que é boa
com você
mas grosseira
com o garçom
não pode ser
uma boa pessoa.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

micos solares

Minha patroa achou engraçado.
Cheguei de Amsterdam toda vermelha. Andei 10 horas sob o sol quentinho do inverno, depois de ter passado um forte esfoliante no rosto durante uma semana. O resultado foi uma reação alérgica que eu batizei mais de "maldição rouge" e que me deixou o rosto vermelho e inchado durante 6 dias.
Como se não bastasse, outro dia me deixei ficar ao sol num parque durante umas 4 horas, tive uma forte dor de cabeça e voltei pra casa aos trancos e barrancos, vomitando até minha alma.
Paris de repente se fez verão: pulou de 18 pra 26 graus em uma semana e pegou a menina do país tropical e que odeia frio desprevenida.
Minha patroa, ao contrário de ficar meio puta pela minha ausência no dia seguinte ao trabalho, ficou achando graça. Mas logo você, brasileira?

terça-feira, 27 de abril de 2010

já vou tarde

Chegou a hora: depois de perambular pela periferia da cidade que escolhi estudar, depois de passar mais de um ano comendo-a pelas beradas, estou indo rumo ao seu centro!
Agora a história é outra. Vou prum prédio engraçado, que fica numa rua repleta de chineses e morarei num apartamento com teto solar!
Assim, me despeço dos vizinhos odiosos que um dia bateram à minha porta à procura de um silêncio que sempre houve, mas que eles não souberam ouvir.
Agora a história é outra: o Sena mora ao lado e o Monsieur Pompidou me servirá um cafezinho.
Mãos à obra!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

amsterdam é legal




Três dias em Amsterdam, cidade repleta de curiosidades e peculiaridades. Começo pelo território, abaixo do nível do mar, cheio de canais e com uma infinidade de pontes.

Como bem notou o marido, Amsterdam é vermelha: tem vermelho nas fachadas dos prédios, tem vermelho nas chaminés, tem vermelho no cabelo das pessoas, tem vermelho nas luzes de néon que iluminam as entradas das boates. Se a cidade nos deixa radiantes com sua beleza, ela nos mostra também a sombra da loucura de um ditador que um dia resolveu matar judeus para purificar uma raça: a casa onde se escondeu Anne Frank durante a guerra é o reflexo dessa obscuridade e nos deixa emocionados.

Amsterdam me pareceu resolvida: o antigo tabu formado pela dupla sex and drogs parece ter sido ultrapassado. Mais do que isso, ele é escancarado nas vitrines: as prostitutas pagam seus impostos e por isso exibem sua mercadoria atrás de um vidro; a maconha pode ser comprada e consumida na próxima esquina.

Mas Amsterdam é mais, muito mais: tem tamancos coloridos que viram vasos de flores, tem gênios como Van Gogh e Rembrandt expostos em museus, tem bondes que circulam nervosos, tem lindas e coloridas tulipas, tem bicicletas como meio de transporte.

Seja como for, Amsterdam vale uma visitinha nem que seja por um dia. Afinal, Amsterdam é muito legal! Aliás, totalmente legal.

sábado, 10 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

beckettiana



nada é mais engraçado que a infelicidade

segunda-feira, 29 de março de 2010

e só chove

e por aqui, além da chuva que não pára e faz cair as temperaturas pra 8 ou 9 graus, o horário de verão começou: agora temos cinco horas de diferença do Brasil e luz que não acaba mais...

segunda-feira, 22 de março de 2010

porque é primavera!


o sol já esquenta mas não queima e os franceses já não franzem tanto a testa de mau humor: a nova estação faz nascer flores nas árvores, põe bicicletas nas ruas e, pouco a pouco, faz desabrochar sorrisos :)

segunda-feira, 15 de março de 2010

un an à paris :)

Outro dia me pegaram de supetão: Fabi, tem valido a pena estar aí?
Não tinha uma resposta pronta. Tinha vivido tantas situações diferentes por aqui - boas ou ruins, mas sempre novas - que ainda nem tinha tido meu momento para refletir.
Diante da pergunta, me pus a pensar.
...
Ora, se valer a pena significa cair de pára-quedas numa cultura totalmente outra e ter que apreendê-la com dignidade, mesmo diante das barreiras impostas pelo outro;
Se valer a pena significa não perder suas raízes e manter-se absolutamente certo de sua boa educação recebida em casa, mesmo diante dos mal-entendidos e do estranhamento causado pelo contato com o outro;
Se valer a pena significa estudar com os professores mais qualificados do mundo para transmitir a difícil teoria psicanalítica;
Se valer a pena significa poder estar diante de obras de arte que eu acreditava que só veria em livros;
Se valer a pena significa conhecer pessoas do mundo todo e que às vezes só tem em comum com você o sonho de morar longe da sua casa - da sua cultura, da sua terra;
Se valer a pena significa simplesmente viver uma nova vida, "abrir a cabeça", trabalhar de qualquer coisa pra sustentar um sonho, resolver TODOS os seus problemas sozinho e crescer sem perceber, experimentar mil coisas diferentes todo dia, morrer de saudades da família e dos amigos e mesmo assim sobreviver;
...
A resposta é sim, tem valido a pena, mesmo com o frio louco que às vezes gela meu coração, vale a pena tentar, arriscar, nem que seja só pra ver o que acontece.
E que venham os próximos 2 anos!

sábado, 13 de março de 2010

confesso







embora já tenha conhecido muitas cidades absurdamente incríveis, confesso que paris é minha preferida. é cidade grande com cara de cidade pequena, é cosmopolita com ar de provinciana.

paris é preferida porque charmosa, é romântica porque monumental, é graciosa porque rica em detalhes suntuosos. nenhuma cidade grande como ela oferece tantas maravilhas ao mesmo tempo: passeie pelas ruas, becos, ruelas, avenidas e em todas há de encontrar beleza, algo pitoresco, um detalhe que a deixa sempre bela e estonteante. é cidade rara: embora tenha concorrentes de peso, paris arranca suspiros e inspira.

paris é assim: bela e verdadeira. e ponto.

quinta-feira, 4 de março de 2010

JAM

Jacques-Alain Miller, filósofo, psicanalista, diretor do Departamento de Psicanálise da Universidade Paris 8, genro de Jacques Lacan e único legatário de sua obra ainda em parte inédita, também tem um blog!

pelas bandas de montparnasse



qu'est-ce qu'on attend, monsieur beckett?

quarta-feira, 3 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

a culpa é do povo brasileiro!

É comum vermos uma pessoa deslocar uma culpa que é sua pro outro. Escutamo-la dizer: O problema disso não é meu, mas do Fulano; minha vida é ruim por causa de Sicrano; fiz isso porque Beltrano bem me obrigou!
Tem também aqueles casos em que a pessoa transfere problemas pessoais pruma categoria maior, universal, que geralmente a engloba. É o caso da pessoa que diz que falou uma tal coisa porque, você sabe, as mulheres adoram uma fofoca, ou então que eu fiz aquilo porque homem gosta mesmo é de futebol, imagine! E por aí vai...
Mas me parece que no exterior essa tendência se assevera, e percorre um caminho que toca em algo pertencente à identidade nacional. Então não é raro encontrar aqueles que, em nome de uma falta - de educação, de classe ou de tato - acabam botando a culpa de seu mau comportamento no jeito brasileiro de ser. É um tal de fiz isso porque, você sabe, nós brasileiros somos assim, nós brasileiros temos uma mania danada de fazer dessa forma e...
E dessa maneira, vamos carregando milhares de culpas individuais e particulares que são escoadas sem cessar por aqueles que, ao confundirem o público com o privado, nos derramam - em nós, povo brasileiro! - suas pequenas perversões quotidianas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

filarmônica de berlim



A história todo mundo já conhece: os ingressos para assistir à Filarmônica de Berlim já tinham se esgotado há tempos. Oportunidade que não se perde, a decisão foi logo tomada: vamos para a fila duas horas antes de começar.

Salle pleyel, ao lado do arco do triunfo, chuva fina. Gente elegante entrava sem parar, com seus ingressos garantidos e cara de barriga cheia.

A fila durou pouco. Em 1 hora a bilheteria informou que venderia ingressos no último minuto. Pulamos de alegria, ingresso na mão e expectativa saindo pela boca.

No programa, Wagner, Schonberg e Brahms.

O som era perfeito, a orquestra literalmente bailava, os aplausos eram intermináveis.

Sabe aquela sensação de participar da formação da história? Foi a mesma que eu tive nos seminários do Jacques-Alain Miller, genro do Lacan e intelectual pra lá de pop.

Parece que eu na beirinha da janela que dá pro mundo! E ela tá escancarada na minha frente!

Será que deixo a angústia de lado e abro os olhos?